Sporting é a única equipa portuguesa que pode continuar na Europa, A poção mágica de Chalana não salvou o Benfica da eliminação

Março 13, 2008

12.03.2008 – 23h30 Jorge Miguel Matias, Getafe

A poção mágica esgotou-se. Não basta bater no peito, afagar o emblema e pedir aos jogadores para jogarem à Benfica (aliás, já nem se sabe muito bem o que isso significa). Para derrotar os adversários, o clube da Luz precisa de muito mais do que tem mostrado e do que exibiu frente aos espanhóis do Getafe. Chalana, que substituiu Camacho como treinador, provavelmente, descobriu-o ontem à noite, ao assistir, impotente, à derrota e eliminação da Taça UEFA.

Ao Benfica não faltou vontade. Faltou capacidade. O melhor Benfica dos últimos dez anos, como o presidente chegou a proclamar, foi sempre impotente contra uma equipa que não existe no panorama europeu e que, mesmo em Espanha, não passa de um pigmeu. Ontem, de novo, ficou provado que o tamanho não conta e que, quando não se tem força suficiente para movimentar um corpo tão grande, acaba-se ridicularizado.

Tal como há uma semana, em Lisboa, o gigante Benfica mostrou ser incapaz de se movimentar com agilidade num campo de futebol. De pouco lhe valeram as mudanças que Chalana promoveu na equipa (dois pontas-de-lança e um losango no meio-campo, jogando Rui Costa no vértice mais avançado, Petit no mais recuado e Rodríguez e Maxi Pereira como médios interiores).

Aos “encarnados” não há fato em que se sintam confortáveis. Porque o problema não está na aparência, mas sim na substância. A somar à deplorável condição física que a equipa revela juntou-se a falta de talento e de confiança. E como estas duas qualidades são fundamentais para elevar uma equipa da banalidade até à superioridade, a vontade pouco mais faz do que encher de piedade quem assiste a um jogo do Benfica.

Contra uma equipa recheada de lesionados e que cedo demonstrou ter como intenção gerir a confortável vantagem trazida da Luz (2-1), o Benfica mostrou que a mensagem do seu novo e interino treinador tinha sido entendida pelos jogadores. E foi “mandão” que entrou na partida, atirando uma bola ao poste, num desvio quase fortuito de Makukula.

À medida que o tempo foi passando, as fragilidades foram aparecendo uma atrás da outra. Primeiro a impotência ofensiva, depois a falta de imaginação e por último a permissividade defensiva. Por isso, foi o Getafe que, sem acelerar muito, esteve perto de marcar – primeiro por Kepa depois, duas vezes, por Gavilán.

Obrigado a marcar dois golos se quisesse seguir em frente, o Benfica foi perdendo a crença. As camisolas encarnadas, afinal, não desviavam os adversários do caminho, não criavam perigo. Não havia mística que valesse. E foi o clube espanhol que, mais uma vez, quase marcou. Chalana tentou injectar mais um dose de entusiasmo, fazendo entrar Di María, Mantorras e Sepsi e arriscou tudo, apostando numa defesa com apenas três homens. Mas só num remate de fora da área de Rui Costa a equipa lisboeta ameaçou a baliza do Getafe. Tão pouco para quem precisava de tanto.

O golo, a pouco mais de um quarto de hora do fim, sentenciou o Benfica. É certo que, para o desfecho da eliminatória, pouca diferença fazia, mas os “encarnados” perceberam que não havia poção mágica que os salvasse.

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