Sporting vence Bolton e é a única equipa portuguesa nas competições europeias

Março 14, 2008

13.03.2008 – 22h46 Filipe Escobar de Lima

Os fantasmas estão lá todos. E foram saindo à medida que o jogo caminhava para o fim. Um a um, os nomes do CSKA, Gençlerbirligi, Halmstads, Spartak, Grashoppers, todas as equipas que eliminaram o Sporting em Alvalade na última década, pareciam que corriam as bancadas e atacavam os adeptos, que só quebravam o silêncio no estádio para romper em assobios à equipa. No fim, mesmo no fim, apareceu Pereirinha e qual “Ghost Busters” (caçador de fantasmas) libertou os pouco mais de 20 mil espectadores que estavam presos ao medo de um golo do Bolton. Havia Liedson, depois de três jogos de ausência, mas foi Pereirinha a resolver.

Para o Bolton marcar um golo seria preciso uma falha incrível da defesa do Sporting – os ingleses disseram que a UEFA não tem a importância do campeonato inglês, pelo qual os “Trotters” lutam para não descer de Divisão. E por isso, o treinador Gary Megson deixou em Inglaterra os seus doze jogadores mais importantes. Mas o problema é que os erros começaram a aparecer dos pés (e cabeça) de Polga e, aos poucos, foi transmitindo insegurança à equipa do Sporting. E com o cronómetro o receio de uma eliminação foi pairando em Alvalade.

A eliminatória foi ganha graças a um golo de Vukcevic na primeira mão. Valeu um empate em Bolton e vantagem sobre o adversário. O jogo de hoje foi ganho por Pereirinha – entre os dois golos passaram uma hora e 46 minutos, 85 dos quais passados hoje em Alvalade de forma penosa… Se Bento jogou para o resultado, a sua equipa não o sabia e, é certo, que não sabe para defender.

Com a vantagem na mão, o Sporting entrou em campo com o melhor onze da época (à excepção de Miguel Veloso). Liedson na frente com Vukcevic, o homem do momento em Alvalade. E só os dois puxaram pelos companheiros – o meio-campo com um esgotado Moutinho, um cansado Romagnoli e um lento Izmailov travou todas as iniciativas da equipa. Pela frente, um Bolton apático e na expectativa, que só criou algum frisson nos lançamentos contínuos de bolas directas para a área de Patrício, que se mostrou seguro.

Este Bolton chegou a Lisboa com a fama. A fama de ter ido a Belgrado derrotar esta época o Estrela Vermelha e ter conseguido empatar em Munique, com o Bayern, e em Madrid, com o Atlético. Ultrapassou os “colchoneros” na eliminatória anterior e fez nome na Europa. Mas o seu treinador “matou” essa pujança quando disse que não estava interessado na UEFA. Ele, Gary Megson, que ganhou a alcunha de “Mourinho ruivo” pelos seus cabelos cor de cenoura e por ter ganho há dois meses ao Manchester United, algo que o clube não conseguiu em trinta anos. Hoje, foi uma sombra desse passado recente.

A isto o Sporting tentou responder com um pragmatismo que não sabe, mas que o resultado escondeu. Tudo jogado muito lento, a passo: Vukcevic, Liedson e Izmailov alvejaram a baliza de Al-Habsi no primeiro tempo; Liedson, magistralmente servido por Pereirinha, falhou a concretização da melhor jogada da noite com um remate à figura. Vaz Té, o português que conseguiu um lugar no onze do Bolton face à dieta de Megson, pouco se mostrou. E também ele sucumbiu.

O golo do Sporting foi uma cópia do marcado por Pereirinha em Basileia, mas desta vez não apareceu no início, chegou no fim, e bem mais adornado com um remate colocadíssimo. Este momento trouxe mais à alma sportinguista do que à eliminatória, que não se alterou, e aos pontos que Portugal necessita na UEFA – mesmo que os “leões” conquistem a Taça UEFA, o país perderá uma equipa para a Rússia na época 2009/10, e ficará apenas com dois lugares na Liga dos Campeões (um deles de acesso directo).

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