Vinte anos depois, o Futebol Clube Porto voltou a vencer em Matosinhos

Março 16, 2008

16.03.2008 – 10h37 Manuel Mendes

O Leixões esteve ontem muito perto de conseguir vencer o FC Porto. A equipa de Matosinhos resistiu durante todo o primeiro tempo, em boa parte graças à excelente exibição do guarda-redes Beto. Depois, adiantou-se no marcador, já na segunda parte, com um golo espectacular de Roberto. Mas não resistiu à fase final e acabou por perder em casa. E, tal como há 20 anos, no último jogo disputado entre ambas as equipas para o campeonato, o FC Porto saiu de Matosinhos com uma vitória, ficando a um passo do título e deixando o adversário cada vez mais aflito na luta pela manutenção.

O FC Porto chegou ao intervalo com um nulo, mas bem que poderia ter conseguido outro resultado no final da primeira parte, tal foi a superioridade que exibiu nessa fase. Nos campeões nacionais, de resto, mal se notou a troca de Paulo Assunção por João Paulo, a má forma de Quaresma (que continua longe do seu melhor) ou a ineficácia de Farías na frente de ataque (Tarik ficou no banco). O futebol geométrico de Lucho, a velocidade e técnica de Lisandro sobre a esquerda, bem como a intensidade de jogo elevadíssima dos portistas transformaram a primeira parte num verdadeiro inferno para os homens da casa. Valeu aos homens de Matosinhos o “superguarda-redes” Beto, que defendeu pelo menos duas bolas que levavam selo de golo.

A primeira defesa de grande espectáculo aconteceu quando estavam decorridos 16″, num remate de trivela de Quaresma depois de um bom passe de Lucho e de Lisandro ter amortecido no peito. Beto voltou ainda a mostrar que era simplesmente o melhor jogador em campo quando, aos 35″, conseguiu roubar o golo a Lisandro, após um cruzamento de Quaresma (um dos poucos dignos desse nome do extremo). Outro aliado dos homens do Leixões foi um dos auxiliares do árbitro Jorge Sousa, errando quase por sistema na forma como assinalava os foras-de-jogo.

O Leixões, agora com o treinador António Pinto no banco, foi fazendo o que podia. Ou seja, muito pouco. A equipa quase nunca teve a bola e limitou-se a segurar o jogo no seu meio-campo. Jorge Gonçalves era um dos poucos que tentavam remar contra a maré, mas raramente teve companhia para incomodar Helton. O primeiro remate digno desse nome da formação da casa aconteceu quando já estavam decorridos 25″, num disparo de Filipe Oliveira de fora da área e por cima da barra. Tudo o resto pertenceu ao FC Porto. Mas a segunda parte não podia começar melhor para o Leixões. A equipa entrou mais subida e surpreendeu os “dragões”. E o golo surgiu num remate espectacular, de primeira, do brasileiro Roberto, quando estavam decorridos 52″, depois de um cruzamento de Hugo Morais, com Bruno Alves a ver jogar.

A partida ficou mais aberta, até porque Jesualdo Ferreira abriu mão de João Paulo e fez entrar Tarik, passando a jogar com dois pontas-de-lança. Mas foi o Leixões que voltou a estar muito perto do golo. Graças a um erro enorme de Pedro Emanuel que isolou Jorge Gonçalves. Valeu Helton a defender com os pés já fora da área. António Pinto, pelo contrário, tentou dar mais consistência ao meio-campo. Fez sair o médio-ala Hugo Morais e colocou em campo Jorge Duarte para contrariar o assalto final portista.

Não foi suficiente. O FC Porto chegou ao empate aos 77″, por intermédio de Lisandro: o argentino recebeu um passe de Tarik e marcou. Aos 85″, o marroquino, em fora-de-jogo, fugiu a toda a gente e fez o golo da vitória.

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