Sporting, Futebol de Onze minutos varreram o Nacional em Alvalade

Março 18, 2008

17.03.2008 – 23h33 Paulo Curado

Foram onze minutos de vendaval que varreram hoje o Nacional no relvado de Alvalade e, quando a intempérie amainou, os insulares tinham sofrido quatro golos no encerramento da 23.ª jornada da Liga. A até aqui segunda melhor defesa da prova não resistiu à ferocidade sportinguista no segundo tempo. A goleada leonina (4-1) teve vários rostos, mas quem acendeu o rastilho até nem marcou: Simon Vukcevic.

Os mais de 22 mil espectadores que escolheram ver o jogo no estádio, terão tido um daqueles palpites felizes. Assistiram a alguns dos melhores momentos que a equipa lisboeta proporcionou esta época. Por si só, o primeiro golo já teria justificado a deslocação, face à jogada magistral que o construiu (55’): uma espectacular desmarcação de calcanhar de Vukcevic (que entrou no segundo tempo para revolucionar a partida), um toque de Pereirinha a isolar Liedson, que abriu o marcador. Tudo ao primeiro toque, tudo em velocidade.

Ainda se louvava o lance nas bancadas, quando os rostos voltaram a encher-se com o segundo golo, dois minutos depois, num pontapé de belo efeito de João Moutinho. E ninguém quis acreditar na fartura, quando, mais um par de minutos volvidos, os dois marcadores uniram esforços para fabricar o terceiro, após um corte de carrinho do “capitão” ter isolado o “Levezinho”.

Os quatro minutos seguintes serviram para os adeptos (e principalmente os jogadores do Nacional) recuperarem a fala, já que, logo depois, chegavam novas emoções em catadupa. Aos 63’, um penálti sobre Moutinho, sofreu o tradicional destino que o Sporting reserva para este tipo de lances – desta vez foi Romagnoli a falhar o quinto dos oito que a equipa já beneficiou esta época (aguarda-se com expectativa a próxima vítima); seguiu-se (66’) mais um golo e, como que a provar a noite ímpar que viviam os “leões”, foi Yannick Djaló, entrado dois minutos antes após uma prolongada lesão, a marcar.

Onze minutos que estavam bem longe de quem assistiu aos primeiros 45’ do encontro que colocava frente a frente duas equipas saídas de uma aziaga jornada frente a adversários minhotos –Sporting perdeu em Guimarães, por 2-0, Nacional foi surpreendido em casa pelo Braga, por 1-0.

Paulo Bento e Jokanovic reservaram algumas surpresas. O técnico do Sporting fez descansar no banco Vukcevic, lançando Tiuí para o lado de Liedson. Uma opção infeliz como os acontecimentos o iriam provar. Já o treinador nacionalista surpreendeu ao chamar à titularidade Felype Gabriel, não tanto pela inegável qualidade do médio ofensivo, mas por este regressar de uma longa lesão que o obrigou a parar perto de quatro meses. Mais aguardadas, nos “leões”, foram as presenças de Gladstone e Ronny, no lugar dos castigados Tonel e Grimi, e de Adrien a render o lesionado Miguel Veloso,

Sem querer perder a cauda do pelotão dos ainda candidatos às competições europeias, o Nacional apresentou-se afoito. Cedo se percebeu que a aposta em Gabriel, pretendia, acima de tudo, explorar as debilidades de Ronny no lado esquerdo da defesa leonina, à frente de quem se colou desde o apito inicial. A estratégia permitiu também que o lateral sportinguista perdesse qualquer veleidade ofensiva, deixando maneta a equipa de Paulo Bento.

Mesmo assim, foi possível criar perigo, mas sem rapidez e com um Tiuí trapalhão, a comportar-se como um corpo completamente estranho à equipa. Ao intervalo, Paulo Bento emendou o erro. E bem a tempo, como se viu, acabando o golo do Nacional (Lipatin), já em cima do apito final, por não retirar qualquer brilhantismo ao resultado.

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