Archive for the 'Internacional' Category

Kosovo: Três polícias da ONU e dois soldados da NATO feridos devido a explosão no norte

Março 18, 2008

17.03.2008 – 10h17 Lusa

Três polícias da missão da ONU no Kosovo e dois soldados da força da NATO no Kosovo (Kfor) ficaram feridos hoje numa explosão no norte do Kosovo, indicou a polícia.

“Ocorreu uma explosão no norte do Kosovo provocando ferimentos em três polícias da Minuk e em dois soldados da Kfor”, indicou a polícia, num comunicado.

“Suponho que se tenha tratado de uma granada de mão lançada contra o tribunal”, indicou o porta-voz da polícia Besim Hoti.

A explosão ocorreu no tribunal da ONU depois da intervenção da polícia para expulsar cerca de 50 sérvios que se encontravam no local desde a última sexta-feira.

“A situação no norte do Kosovo é tensa”, sublinha o comunicado da polícia que precisa que “a Kfor reagirá consoante o desenvolvimento da situação”.

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Guerra no Iraque: 36 mortos em atentado suicida na cidade de Kerbala

Março 18, 2008

17.03.2008 – 16h46 Agências
Pelo menos 36 pessoas morreram esta tarde em Kerbala, no Sul do Iraque, quando uma mulher se fez explodir no centro da cidade, um dos principais locais de culto da comunidade xiita do país.

Segundo fontes policiais, citadas pela Reuters, a explosão ocorreu num café a pouca distância do mausoléu do imã Hussein, principal centro de peregrinação da cidade.

Testemunhas adiantam que a explosão foi provocada por uma mulher, informação que o governador local já confirmou.

O director de um dos hospitais da cidade adianta que, além das vítimas mortais, a explosão terá provocado meia centena de feridos, muitos dos quais em estado grave.

O atentado de hoje, numa das cidades mais vigiadas do Iraque, é um dos mais mortíferos ocorridos desde o início do ano, coincidindo com a visita ao país do vice-presidente norte-americano, Dick Cheney,
a menos de uma semana do quinto aniversário da invasão que levaria ao derrube do regime de Saddam Hussein.

O pior atentado ocorrido este ano remonta a 1 de Fevereiro, quando duas mulheres, alegadamente portadoras de deficiência mental, se fizerem explodir em mercados de Bagdad, matando 98 pessoas.

Kuwait: ministros pedem demissão colectiva

Março 18, 2008

17.03.2008 – 12h24 AFP

Os ministros kuwaitianos apresentaram hoje as suas demissões ao primeiro-ministro, avança a agência oficial Kuna, numa manobra que marca a mais recente de uma série de crises políticas no emirado petrolífero.

“O primeiro vice-primeiro-ministro e o ministro da Defesa, bem como os outros ministros, apresentaram as suas demissões ao primeiro-ministro, o xeque Nasser Mohammad Al-Ahmad Al-Sabah, declarou o ministro de Estado para os Assuntos do Executivo, Fayçal Al-Hajji.

Os deputados indicaram que o primeiro-ministro deverá submeter a demissão dos ministros à apreciação do príncipe herdeiro, o xeque Nawaf Al-Ahmad Al-Sabah, que assegura a governação interina do emir e que está actualmente numa visita privada ao estrangeiro.

Estas demissões acontecem depois dos ministros se terem queixado de “falta de cooperação” por parte do Parlamento, que deverá votar amanhã uma lei sobre uma melhoria dos salários dos kuwaitianos em 50 dinars (o equivalente a 188 dólares), de acordo com fontes parlamentares.

O governo, que já tinha aumentado em Fevereiro os salários em 120 dinars (450 dólares), opõe-se a esta lei.

De acordo com a Constituição, o emir poderá aceitar a demissão do governo e formar um novo Executivo, ou dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas.

O último escrutínio legislativo ocorreu em Maio de 2006 após um outro impasse entre o Parlamento e o governo.

O emir, o xeque Sabah Al-Ahmad Al-Sabah, apelou recentemente à dissolução do governo, nomeação de um novo primeiro-ministro e convocação de eleições legislativas antecipadas no emirado, que sofreu uma série de crises políticas nos últimos anos.

O influente deputado liberal Ahmad Al-Mulaifi indicou na semana passada que o Executivo deveria ser dissolvido e apelou a uma reforma no seio da família reinante dos Al-Sabah, estimando que o primeiro-ministro, um sobrinho do emir, não tem dado resposta às reformas necessárias e resolução de crises no emirado.

O xeque Nasser foi nomeado para a chefia do governo pela primeira vez há dois anos, depois de uma luta de poderes.

Depois disso, o Kuwait enfrentou várias crises políticas antes da demissão de três governantes, da dissolução do Parlamento e da organização de eleições antecipadas em Junho de 2006, numa altura em que vários ministros foram investigados pelo Parlamento.

Presidência da União Europeia diz que eleições iranianas não foram “nem livres, nem justas”

Março 16, 2008

16.03.2008 – 11h20 AFP

As eleições legislativas no Irão “não foram nem livres, nem justas”, declarou hoje a presidência eslovena da União Europeia (UE), num comunicado divulgado em Bruxelas.

A UE manifesta a “sua profunda preocupação com o facto dos processos eleitorais na República Islâmica do Irão terem ficado aquém dos padrões internacionais e que o processo eleitoral não tenha permitido eleições verdadeiramente concorrenciais”, escreve a presidência eslovena.

O bloco europeu lamenta a desqualificação, antes da votação, de um grande número de candidatos reformadores. Estas exclusões “constituem uma clara violação das normas internacionais”, acrescenta.

“O povo iraniano merece poder fazer uma verdadeira escolha democrática sobre o futuro do seu país”, conclui.

Segundo os resultados ainda parciais das legislativas de sexta-feira, os conservadores conseguiram 71 por cento dos 290 assentos do próximo Parlamento iraniano. A taxa de participação terá rondado os 60 por cento.

Oitenta mortos em Lhasa, Dalai Lama condena “genocídio cultural” no Tibete

Março 16, 2008

16.03.2008 – 10h07 AFP, Reuters

O Dalai Lama condenou hoje aquilo que considera ser um “genocídio cultural” no Tibete, depois da morte de 80 pessoas em Lhasa, segundo o governo no exílio. O líder espiritural tibetano insistiu na abertura de um inquérito internacional à violência.

Os tibetanos são tratados “como cidadãos de segunda” na região autónoma chinesa, criticou o Dalai Lama numa conferência de imprensa a partir de Dharamsala, na Índia, onde está exilado.

O líder espiritual falou ainda do “regime do terror” imposto pela China comunista. “Eles apoiam-se, unicamente, na força para conseguir uma paz simulada; uma paz ameaçada pela força no seio de um regime do terror”.

Dalai Lama recusou apelar ao boicote dos Jogos Olímpicos previstos para Pequim, em Agosto. “Defendo os Jogos Olímpicos”, fez questão de dizer. Mas a comunidade internacional tem a “responsabilidade moral” para “lembrar a Pequim de deve ser um anfitrião à altura, para os Jogos Olímpicos”.

Pouco antes da intervenção do Prémio Nobel da Paz de 1989, jovens tibetanos radicais exilados na Índia denunciaram “um genocídio” perpetrado pela China, depois das violências no centro histórico de Lhasa. As autoridades chinesas falam em dez mortos; o governo no exílio em 80.

Hoje, a situação em Lhasa é mais calma. A BBC online noticia que a estação de televisão Hong Kong Cable TV mostra imagens de cerca de 200 veículos militares, cada um com 40 a 60 soldados armados, a entrar na capital.

Paquistão: explosão de bomba num restaurante faz um morto e onze feridos

Março 15, 2008

15.03.2008 – 20h30 Agências

Uma mulher de nacionalidade turca morreu hoje na explosão de uma bomba num restaurante italiano em Islamabad, habitualmente frequentado por cidadãos estrangeiros. O ataque fez ainda pelo menos onze feridos, na sua maioria cidadãos estrangeiros, segundo fontes da polícia paquistanesa.

“Uma cidadã turca funcionária de uma organização não-governamental morreu na explosão”, confirmou à AFP o chefe da polícia de Islamabad, Shahid Nadeem Baluch, acrescentando que dez pessoas de várias nacionalidades ficaram feridas no atentado. Fontes das forças de segurança paquistanesas indicaram à AFP que se tratam de quatro norte-americanos, dois japoneses, um britânico, um canadiano, um alemão e um italiano.

A Reuters, que cita também fontes da polícia, eleva, por sua vez, para onze o número de feridos, estando entre eles cinco norte-americanos, um britânico, um canadiano, um japonês e três paquistaneses. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico anunciou que um funcionário da sua embaixada em Islamabad tinha ficado “ligeiramente ferido” no ataque.

Javed Cheema, porta-voz do Ministério do Interior paquistanês, confirmou aos jornalistas que se tratou de um ataque bombista, desconhecendo-se ainda se o engenho ou engenhos utilizados no atentado se encontravam no interior do restaurante ou se foram lançados do exterior.

O restaurante Luna Caprese é habitualmente frequentado por diplomatas, funcionários de organizações humanitárias e jornalistas.

O ataque não foi reivindicado

Pequim acusa Dalai Lama de organizar protestos no Tibete, Líder espiritual tibetano nega acusações

Março 15, 2008

14.03.2008 – 21h00 Agências

Pequim acusou o líder espiritual tibetano de ter orquestrado as manifestações contra a administração chinesa, que hoje degeneraram em violência no centro de Lhasa, provocando pelo menos dois mortos.

“O governo da região autónoma do Tibete considera que existem provas suficientes de que a recente sabotagem em Lhasa foi organizada, premeditada e planeada pelos seguidores do Dalai”, noticiou a agência Xinhua, canal oficial do Governo chinês.

A agência, que cita as autoridades locais, adianta que os manifestantes “espancaram” pessoas, “destruíram, saquearam e incendiaram” lojas e edifícios públicos da capital tibetana, “perturbando a ordem pública e pondo em risco vidas humanas e bens”.

Um assessor do líder espiritual tibetano classificou já de “absolutamente sem fundamento e desprovidas de qualquer verdade” as acusações de Pequim, lembrando que esta não é a primeira vez que “este tipo de acusações são feitas”.

O Dalai Lama, Prémio Nobel da Paz em 1989 pela sua dedicação por meio pacíficos à causa tibetana, é considerado pela China como um líder político que procura a independência daquele território, há meio século sob administração chinesa.

As manifestações de hoje, que começaram por ser pacíficas, degeneraram em confrontos no centro de Lhasa, com os manifestantes a saquearam lojas e edifícios ligados à administração. A polícia reagiu, disparando balas reais contra os manifestantes.

Apesar do isolamento do território, fontes locais ouvidas por meios de comunicação pró-tibetanos no Ocidente, confirmam que pelo menos dois manifestantes foram mortos e dezenas de outros ficaram feridos nos incidentes, os mais graves dos últimos anos.

Há também registo de dezenas de detidos, entre eles vários monges budistas, que encabeçaram os protestos iniciados na segunda-feira, para assinalar o 49º aniversário das tropas chinesas no Tibete. Os soldados então enviados por Pequim esmagaram uma revolta contra a presença da China na região, na sequência da qual o Dalai Lama, líder religioso tibetano, partiu para o exílio na Índia.

Confrontos no Tibete terão provocado vários mortos, Dalai Lama pede à China para se abster do recurso à força

Março 14, 2008

14.03.2008 – 14h32 Agências

Várias pessoas morreram e dezenas ficaram feridas nos confrontos registados hoje no centro da capital tibetana, durante manifestações contra a administração chinesa. O Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, diz estar muito preocupado com a violência em Lhasa e apela à China para se abster do recurso à força.

“Sim, há vários mortos”, declarou um funcionário do centro de emergência médica de Lhasa, em declarações telefónicas à AFP. “Estamos muito ocupados com os feridos, pois temos aqui muitos”, acrescentou o mesmo funcionário que pediu para não ser identificado.

A rádio Ásia Livre (RFA), citando testemunhas em Lhasa, confirma pelo menos dois mortos durante os confrontos no centro histórico da cidade, onde começaram os primeiros incidentes, adiantando que a polícia abriu fogo sobre a multidão.

Os manifestantes “saquearam lojas chinesas e a polícia disparou balas reais contra a multidão. Ninguém neste momento tem direito de se dirigir para a cidade”, adiantou uma fonte tibetana àquela rádio, sediada nos EUA.

De acordo com a mesma fonte, os participantes nas manifestações, inicialmente pacíficas, incendiaram carros, saquearam lojas, e atacaram vários edifícios associados à presença chinesa no Tibete.

Tibete, Monges tibetanos lideram nova contestação a maior desde 1989, Centenas de pessoas manifestam-se na capital tibetana contra o domínio chinês

Março 14, 2008

14.03.2008 – 10h19 Agências

“Centenas de pessoas juntaram-se hoje na capital tibetana em novas manifestações lideradas por monges budistas contra a administração chinesa no Tibete, queimando carros da polícia, com a tensão a aumentar na região, informou a Radio Free Ásia. De acordo com a agência Nova China, há notícia de feridos em resultado destas manifestações.

De acordo com declarações de uma testemunha à mesma rádio, os manifestantes são já às centenas, incluindo monges e civis, e foram incendiados carros da polícia e do exército no centro de Lhasa.

Estas são as mais recentes manifestações no Tibete, as maiores desde 1989, contra a administração chinesa da região, numa espiral de tensão que vem aumentando desde segunda-feira e que já levou dois monges a tentar o suicídio e as autoridades chinesas a cercar e encerrar mosteiros.

O Departamento da Região Autónoma do Tibete em Pequim disse hoje à Lusa que os pedidos de autorização para entrada no Tibete estão suspensos.

“Não é possível pedir licenças de entrada”, disse um funcionário do departamento, que não se identificou nem soube dizer quando será possível voltar a pedir autorizações de viagem para o Tibete, onde o governo chinês só permite a entrada de estrangeiros com um vistos de viagem especiais, que são quase sempre recusados aos jornalistas.

A Radio Free Asia informou ainda que os monges budistas do mosteiro de Sera iniciaram ontem uma greve de fome dentro do próprio mosteiro e recusam comer ou dormir até que as autoridades libertem os monges alegadamente presos ao longo das manifestações desta semana.

“Há uma atmosfera crescente de medo e tensão em Lhasa no momento”, disse à imprensa estrangeira Kate Saunders, porta-voz da organização Campanha Internacional pelo Tibete (CIT), sedeada em Londres.

“Muitos outros monges estão também a ferir-se a si próprios em desespero,”disse uma fonte anónima à Rádio Free Asia.

De acordo com a CIT, as manifestações estenderam-se já aos mosteiros de Reting e de Ganden, para além de Sera, os mais importantes mosteiros da região, chamados “três pilares do Tibete”.

Milhares de militares e de elementos da polícia paramilitar cercaram os três mosteiros, segundo a CIT. Uma agência de viagens de Pequim confirmou hoje à Lusa ter informações que “os três mosteiros estão fechados a visitas de grupos turísticos”.

As manifestações voltam a pôr em causa a forma como a China administra o Tibete, poucos meses antes dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, que decorrem entre 8 e 24 de Agosto.

Os protestos começaram na segunda-feira, o aniversário da entrada das tropas chinesas no Tibete em 1959, para esmagar uma revolta falhada contra a presença da China na região e na sequência a qual o Dalai Lama, líder religioso tibetano, partiu para o exílio na Índia.

A China insiste que o Dalai Lama não é um líder religioso mas sim um líder político separatista que busca a independência do Tibete.

O Dalai Lama, Prémio Nobel da Paz em 1989 pela sua dedicação não-violenta pela causa tibetana, diz ter abandonado as exigências iniciais de independência para o Tibete, defendendo uma “autonomia real e significativa” que preserve a cultura, a língua e o meio ambiente tibetanos.“

Eleições no Irão, Iranianos a escolher entre conservadores radicais e pragmáticos

Março 14, 2008

14.03.2008 – 08h51 Jorge Almeida Fernandes

Quarenta e quatro milhões de iranianos elegem hoje o novo Parlamento (Majlis) num clima de relativa apatia. A campanha durou só uma semana e nem sequer cartazes eleitorais animam as ruas. Estas legislativas não são um teste à popularidade do Presidente, Mahmoud Ahmadinejad, e, muito menos, ao peso dos reformistas, antecipadamente marginalizados. São antes um exame da relação de forças entre conservadores radicais e conservadores pragmáticos, ou seja, a antecâmara das presidenciais de 2009. Por isso, os resultados serão relevantes.

Após a eliminação maciça de candidatos reformistas, a competição centra-se entre dois blocos conservadores, um que apoia Ahmadinejad, outro que reúne os seus críticos conservadores. Aqueles concorrem sob a bandeira da Frente Unida dos Defensores dos Princípios (da revolução islâmica). Os “pragmáticos” invocaram o peso excessivo do partido de Ahmadinejad – o Doce Prazer de Servir – na lista de Teerão (dez em 30), para formarem a Coligação Alargada dos Defensores dos Princípios.

Nesta pontificam figuras como o antigo negociador nuclear Ali Larijani, o presidente do município de Teerão, Mohammad Baqer Qalibaf, ou Moshen Rezai, ex-chefe dos Guardas da Revolução. Os dois primeiros foram adversários de Ahmadinejad nas presidenciais de 2005 e preparam nova candidatura para 2009. O que os une não é a oposição a Ahmadinejad. Serão discretamente apoiados pelo antigo Presidente Akbar Rafsanjani, hoje líder do Conselho de Discernimento.

Genericamente, criticam a demagogia social e a desastrosa gestão económica do actual Presidente, tal como as suas provocações que contribuem para isolar o Irão. Apoiam o programa nuclear, mas exigem um maior papel para a diplomacia. O que os separa dos reformadores é a vontade de manter intactas as linhas mestras do regime teocrático, que o antigo Presidente Mohammad Khatami foi acusado de querer reformar.

Entre mais de 7000 candidatos aos 290 lugares do Majlis, foram aprovados 4500 pelo Conselho dos Guardiões. Entre os excluídos estão algumas das principais figuras do campo reformador, incluindo ex-ministros e muitos deputados, pelos mais variados pretextos: “falta de fé islâmica”, “reputação duvidosa”, crítica sistemática do governo ou até falta de habilitações académicas.

A operação terá sido este ano mais vasta que nas anteriores eleições, visando marginalizar os reformistas, próximos de Mohammad Khatami, para restringir a competição às facções ortodoxas do regime. Este objectivo foi conseguido. Assim, a Coligação dos Grupos Reformadores apenas concorre em 130 dos 290 círculos eleitorais e, anota um analista, se conseguir eleger 40 ou 50 deputados, será um êxito. “De facto, o destino de 160 lugares foi decidido antes de as eleições terem lugar”, denunciou durante a campanha o reformista Mostafa Tajzadeh.

Falando na televisão, na quarta-feita, o Guia Supremo, Ali Khamenei, não tomou partido entre os conservadores e apenas atacou os reformistas: “Um dos critérios para uma pessoa não poder entrar no Parlamento é não estabelecer uma fronteira clara com o inimigo e as marionetas do inimigo.”

Entre os reformistas, destaca-se o religioso Mehdi Karroubi, presidente do Majlis no tempo de Khatami, que mantém boas relações com o Conselho dos Guardiões e que se demarca de Ahmadinejad nos domínios das liberdades ou das relações com a América, declarando-se favorável a um reatamento das relações diplomáticas.

O Parlamento, que formalmente tem largos poderes, nunca foi uma instituição poderosa, estando manietado pelo veto do Conselho dos Guardiões. É, no entanto, um lugar de debate e uma excelente tribuna para falar ao país. Também Karroubi apostará nas presidenciais de 2009.

O calcanhar de Aquiles de Ahmadinejad é a situação económica, a alta inflação e o desemprego a crescer, sobretudo entre os jovens. A grande dúvida é a reacção dos eleitores com menos de 30 anos, 60 por cento do corpo eleitoral. Muitos dizem-se desiludidos com Ahmadinejad. Em Teerão o Presidente perderá. Mas será ainda popular na província, onde tem feito numerosas digressões multiplicando as promessas.